sábado, 15 de agosto de 2009

Restos de nós

Hoje eu poderia abrir aquela caixinha onde estariam guardados os nossos segredos, faria tempo que não a visitava por puro medo. Encontraria lá dentro, restos de nós dois. Releria as tuas cartas, aquelas que falariam do teu amor, onde descreverias a tua paixão por mim e por um momento incendiaria por dentro. Depois encontraria o desenho de um coração onde estaria escrito o nosso nome em letras enormes e assim, o coração que bate dentro do meu peito, bateria insatisfeito. Remexeria ainda mais na caixinha e acharia uma flor, aquela que tu poderias ter me dado quando me dissestepela primeira vez “eu te amo e descobriria que ela havia secado, por pura falta de amor. Depois bem lá no fundo encontraria perdido aquele coração partido que deveria andar pendurado no meu pescoço, pensaria então na outra metade, onde andaria? Será que ela ainda existia?Acharia também aquela mensagem que deveria dizer que a vida sem mim, não tinha sentido, em que nada valia a penano dia que não falávamos, lembraria-me do teu sorriso quando me encontraste, eu amei esse sorriso! O sorriso que jamais esquecerei. Também acharia um bilhete, no qual pediasdesculpas por um momento de tensão e lembrar-me-ia que te dei esse perdão com a maior emoção. Em seguida encontraria um papel com aquela canção que deverias ter cantado para mim antes de adormecer, aí deliraria de prazer por ti. A letra dessa música deveria ter sido a nossa canção e eu cantá-la-ia baixinho por um breve minuto. Depois de já estar com o coração estraçalhado, acharia aquela carta que tu deverias ter me enviado a falar do fim, que tinha acabado que estava tudo terminado. Poucas linhas, rápidas palavras, como se a nossa história tivesse sido transitória. Arderia de dor, enterrar-me-ia na saudade, depois trancaria a caixinha e partiria para a minha realidade fingindo a todos não viver na agonia, mas na verdade o que eu iria querer era morar dentro daquela caixinha, junto com o meu coração que já viveria lá, afinal desde que tu me deixaste seria ela, o único lugarque ele encontrou para continuar a bater.Mas não existe nada, nenhum segredo, nenhuma carta de amor, não há um desenho de coração, nem tão pouco uma flor. Não existe o coração partido,apenas o meu que você quebrou! E a declaração de amor?Ela não existiu! Não existiu o perdão e nem mesmo a canção. A carta do fim também não chegou enfim,nada de nós mesmo restou.


Autora: Bianca Melo

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